DIVISÃO DE AGROTECNOLOGIA

A Divisão de Agrotecnologia foi uma das primeiras divisões a serem implantadas no CPQBA, já em 1987. Nesta divisão, são realizados estudos agrícolas para adaptar plantas a novas condições de cultivo (fitotecnia), domesticação e melhoramento genético de plantas nativas e exóticas, cultura de tecidos vegetais, conservação de sementes, produção de mudas e assessorias a projetos de produção de plantas aromáticas e medicinais.

As pesquisas são realizadas através de projetos desenvolvidos, preferencialmente, em parceiras com outras Divisões do CPQBA ou Institutos da UNICAMP e de outras Instituições. A Divisão de Agrotecnologia do CPQBA tem reconhecimento da sociedade científica e dos setores produtivos relacionados, dos quais recebe demandas do país e do exterior.

Entre os primeiros projetos desenvolvidos pode-se citar a parceira com o Ministério da Saúde, a antiga CEME (Central de Medicamentos), em que o CPQBA foi contratado para realização de pesquisas e produção em larga escala de plantas medicinais brasileiras. Este projeto resultou em expressiva visibilidade do CPQBA em função do fornecimento de matéria-prima padronizada de plantas medicinais.

 A PESQUISA COM ANTIMALÁRICOS

Um dos projetos pioneiros da Divisão foi realizado com a aclimatação e o melhoramento genético da A. annua, planta medicinal de origem chinesa utilizada contra a malária.

No caso do melhoramento genético, foi possível obter o aumento de 300 vezes em relação ao rendimento do principio ativo produzido pela planta antes do programa de seleção, fato este que rendeu ao CPQBA uma boa projeção nacional e internacional. Fornecemos sementes e tecnologia de produção de genótipos superiores a vários países. O trabalho é inclusive citado pelo diretório da Organização Mundial da Saúde.

DOMESTICAÇÃO E MELHORAMENTO DE PLANTAS

Outras plantas em programas de melhoramento genético na Divisão de Agrotecnologia são: a espinheira santa (Maytenus ilicifolia), utilizada para o tratamento de úlcera; o quebra-pedra (Phyllanthus niruri e P. amarus), que têm efeito para cálculo renal e também para o vírus da hepatite B; além da carqueja (Baccharis trimera), da marcela (Achyrocline satureioides), da erva baleeira (Varronia verbenacea), da pfaffia (Pfaffia glomerata), da vassourinha (Baccharis dracunculifolia), da estevia (Stevia rebaudiana) e do Crajirú (Fridericia chica).

A COLEÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS NO CPQBA

As primeira investidas para iniciar a coleção de plantas medicinais ocorrem no final da década de 1980, por iniciativa dos pesquisadores da própria Divisão de Agrotecnologia. A Coleção de Plantas Medicinais conta hoje com cerca de 580 espécies de plantas perenes e anuais, as quais são mantidas em seus ambientes favoráveis de crescimento.

Esta coleção é importante para auxiliar nas pesquisas, conservando, avaliando e disponibilizando material genético de grande potencial. Além disso, favorece a redução do extrativismo e permite a repetibilidade nos resultados das pesquisas. Conhecer e avaliar o que está sendo conservado é muito importante, pois algumas vezes materiais de origens diferentes podem ter um estreito parentesco genético.

A coleção da Divisão de Agrotecnologia do CPQBA é cadastrada junto ao CGEN, sendo o Centro classificado como fiel depositário genético, junto ao Ministério do Maio Ambiente. Isto significa que, em projetos de pesquisa de bioprospecção, o CPQBA pode fornecer mudas, desde que os pesquisadores interessados tenham autorização junto ao CGEN. As coleções in vivo são importantes tanto na diminuição do extrativismo quanto na possibilidade de utilização deste patrimônio genético em pesquisas.A coleção de plantas medicinais é também uma ótima fornecedora de material para pesquisa, pois as espécies de ciclo curto acabam produzindo sementes por autofecundação e gerando genótipos homogêneos.

A coleção foi implantada a partir do apoio financeiro da diretoria do CPQBA, que permitiu um contato com pesquisadores da UnB. Os pesquisadores da Divisão de Agrotecnologia em visita ao Centro em Brasília trouxeram algumas das primeiras espécies introduzidas. Outras introduções vieram por doações contribuindo para a expansão da coleção. A Divisão de Reprodução e Quarentenário do Instituto Agronômico de Campinas foi também uma assídua doadora de mudas para a coleção da Divisão de Agrotecnologia do CPQBA.

CULTIVO “IN VITRO”

A cultura de tecidos vegetais é uma importante técnica auxiliar em programas de melhoramento de plantas uma vez que possibilita propagar vegetativamente e multiplicar plantas altamente produtivas e com as características desejadas. Espécies de polinização aberta frequentemente produzem sementes com grande variabilidade genética, o que nem sempre é desejável quando se procura reproduzir exemplares altamente produtivos e com alto grau de uniformidade.

A utilização mais disseminada da cultura de tecidos é a propagação clonal rápida de plantas potenciais, e é basicamente o método empregado no laboratório de cultura de tecidos vegetais da Divisão de Agrotecnologia. A técnica é extremamente útil para a propagação de plantas que se multiplicam lentamente, ou para a obtenção de clones, nos quais se pretende que as plantas produzidas "in vitro" tenham as mesmas características da planta-mãe. Este último pode ser o caso de uma planta com alta produção de um determinado metabólito secundário ou uma alta produção de biomassa. Esta técnica garante uma descendência uniforme que não poderia ser obtida pelo cultivo por sementes em plantas alógamas, devido ao risco de encontrar-se muita variabilidade entre os descendentes. No caso de plantas medicinais, aromáticas e alimentícias, o objetivo dessa metodologia é o de produzir grande quantidade de clones geneticamente estáveis com relação a determinados princípios ativos.

O laboratório do CPQBA já estabeleceu inúmeros protocolos de multiplicação de plantas potenciais, sendo que dentre estas podemos citar: Stevia rebaudiana, Mentha piperita, M. arvenses, M.canadenses, Lippia sidoides, L. alba, Anemopaega arvensis, Pfaffia paniculata, P. glomerata, Artemisia annua, Brugmansia suaveolens, Cecropia glaziovii, entre outras.

PARCERIAS

A Divisão realiza projetos de pesquisas financiados pelas agências FAPESP e CNPq e também diversas parcerias com empresas públicas (EMBRAPA) e privadas (Natura e O Boticário por exemplo), além de contratos de prestação de serviços para a geração de tecnologia e produção de mudas certificadas a partir de demandas específicas. Além disso, a Divisão de Agrotecnologia possui trabalhos com outras divisões, como, por exemplo, a de Microbiologia, em que são realizadas as avaliações da ação bactericida das plantas medicinais conservadas na coleção ou com as Divisões de Química de Produtos Naturais e a de Farmacologia, visando o desenvolvimento de Produtos Naturais.

Em parceria com a Divisão de Química Orgânica e Farmacêutica foidesenvolvido projeto para a produção de um produto anti-inflamatório a partir do óleo da Varronia verbenacea, a erva baleeira, por demanda doLaboratório Aché.

Outra modalidade de parcerias utilizada pela DAGRO é a de Convênios com empresas e Instituições de Ensino e Pesquisa, onde podemos citar: Petrobras, Centroflora, Instituto Politécnico de Castelo Branco (Portugal), UNIFESP, O Boticário, CIATEC, SBW, UFLA entre outras.

QUALIDADE EM PRODUTOS NATURAIS

Um ponto de crescente importância na cadeia produtiva de fitoterápicos é o padrão de qualidade e sua manutenção, desde as ações realizadas pelos produtores, os quais devem ser bem informados em relação aos cuidados a serem tomados no cultivo de plantas medicinais. Neste sentido, a Divisão de Agrotecnologia realiza parcerias para apoio aos agricultores através de visitas técnicas e cursos de capacitação, visando melhorar a qualidade da matéria-prima de produtos fitoterápicos. 

 artemisia seleo

Figura 1: plantio de Artemisia.

colheita Guaco Figura 2: colheita de Guaco.

 

 destilador cpqba

Figura 3: destilador em operação.

 ensaio glyn

 Figura 4: viveiro.

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